Autor Tópico: O jornalista demitido - «Um caso de polícia? Não me diga?!»  (Lida 354 vezes)

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Dunadan

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O jornalista demitido - os pés de microfone
http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/4599067.html
 

Há entre aquilo que se julgaria serem orgãos de informação uma nova prática que é a própria negação do mais elementar jornalismo, da profissão de informar. Essa prática consiste em os presumidos jornalistas se colocarem na posição de puros espectadores. O político A faz uma revelação gravíssima sobre a acção do político B? O presumido jornalista ouve o político A, ouve o político B, e apresenta o resultado como «informação», sem curar de investigar se a acusação é verdadeira, se é falsa, e quais as consequências de uma coisa ou outra.

Este tipo de jornalismo apático (por intencional enviesamento ou por estupidez, pouco interessa) teve ontem nova e clamorosa edição à uma na RTP, na Sic e na TVi.

Confirmando a sua inteira falta de qualidade, António Mendonça, o lamentável antigo ministro das Obras Públicas, e Paulo Campos, seu igualmente lamentável secretário de Estado, foram à Assembleia da República apresentar uma manipulação despudorada sobre os custos das SCUTs, da qual resultava, segundo eles, que o seu governo e de Sócrates tinham melhorado a situação. Um deputado da oposição indignou-se e explicou que os números resultavam de uma falsificação com base nas projecções das portagens a cobrar.

Visto isto, terão RTP, Sic ou TVi investigado o assunto? Nem pensar. Fizeram-se pé de microfone, emitiram uma opinião e outra, e acharam que era bastante. A TVi vislumbraria mesmo que Paulo Campos revelara «uma bomba atómica», que foi como a TVi classificou a sua própria perplexidade perante uma falsificação grosseira.


Desta vez, porém, e felizmente para nós e para a informação, o caso não ficou por aqui. E não ficou por aqui por méritos a que são inteiramente estranhos os presumidos jornalistas.


publicado por José Mendonça da Cruz



O jornalista demitido - você não esclarece, esclareço eu
http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/4599443.html
 

Mendonça e Campos tinham explicado a sua extraordinária descoberta de que o governo Sócrates atenuara (e não agravara) os custos das SCUTs recorrendo ao que apresentaram como um relatório de uma consultora independente, a KPMG, para a Estradas de Portugal.

Mas era mentira.

Não foram, é claro, os presumidos jornalistas que foram verificar junto da KPMG, nem foram os presumidos jornalistas que foram investigar a verdade dos números e gráficos apresentados pela lamentável dupla. Nada disso. Foi apenas a KPMG que, ferida pelo abuso, veio explicar que os números, os gráficos e as conclusões de Campos e Mendonça não são dela, KPMG, não podem ser inferidos do seu relatório, nem, aliás o traduzem.

Sem notarem exactamente que tinham acabado de ser humilhados, os presumidos jornalistas foram então ouvir o PS, que, nestas andanças desclassificadas, ficou muito bem representado por Basílio Horta. Basílio disse que pois e talvez.

Depois, os presumidos jornalistas regressaram a casa, esperançosos de que a coisa ficasse por ali.

Mas não ficou. Outra vez por méritos e trabalho a que os presumidos jornalistas são inteiramente estranhos, o enredo ia adensar-se. Foi preciso um comentarista político dar-se ao trabalho de investigar.


publicado por José Mendonça da Cruz



O jornalista demitido - «Um caso de polícia? Não me diga?!»
http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/4599912.html


Ontem, na TVi24, foi dia do habitual comentário político de Marques Mendes. E Marques Mendes trazia uma enorme notícia que investigara como os presumidos jornalistas não fazem. Era assim:

Em 2010, o governo Sócrates decidiu renegociar os contratos das SCUTs para introduzir portagens (passo agora a correr pela lembrança de que SCUT quer dizer sem custos, e que a ideia germinou no muito socialista cérebro de Cravinho que as apresentou como «benéficas para o orçamento»). O governo Sócrates falou, então, com a Mota-Engil, de Jorge Coelho, para a introdução de portagens em 3 concessões que a Mota-Engil liderava.

A Mota-Engil de Jorge Coelho exigiu que o governo Sócrates metesse no pacote duas outras concessões (que não eram SCUT, tinham portagens, e eram de inteira responsabilidade da empresa). Essas duas concessões eram a Grande Lisboa (A16, A30, A36, A37 e A40) e a Norte (A7 e A11).

Essas duas concessões, portanto, estavam a inteiro cargo da Mota-Engil, não gerando nem receitas nem custos para o Estado, que lhes era estranho.

A Mota-Engil podia até ter pedido a Lua. Pode pedir o que quiser. O caso é que o governo Sócrates aceitou a exigência da Mota-Engil, e englobou essas duas concessões na renegociação.

Resultado:

A concessão Grande Lisboa dava ao Estado, até 2010, zero de receitas e zero de custos.

Passou a dar, após a renegociação Sócrates-Mendonça-Campos/Mota-Engil-Coelho, 303 milhões de euros de receita, e 584 milhões de custos. Prejuízo: 281 milhões.

A concessão Norte dava ao Estado, até 2010, zero de receitas e zero de custos.

Passou a dar, após a renegociação, 953 milhões de euros de receitas e 2.092 milhões de custos. Prejuízo: 1.139 milhões de euros.

Ou seja: Sócrates, António Mendonça e Paulo Campos conseguiram em negociação com Jorge Coelho um prejuízo para o Estado (ou seja, para nós, contribuintes) de 1.420 milhões de euros.

Todos os números acima estão correctos e a fonte é a Direcção Geral do Tesouro.


(Dois apartes do presumido jornalista Paulo Magalhães, enquanto Marques Mendes reportava, explicam os abismos a que caiu o jornalismo em Portugal: «Mas não há justificação?!», supreendia-se ele às tantas. «Ficamos à espera», rematou ele no fim. «À espera», o pobre.)


publicado por José Mendonça da Cruz




Qualquer comentário que teça neste momento será no mínimo qualificado de impublicável, tal é a revolta que sinto...



miguelyn

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em: 28 de Outubro de 2011, 23:40
Pois bem. Faca de 2 gumes. E texto infeliz.

A missão de um jornalista é em primeira instância informar e só depois virá, vira, repito, a investigação. Ora o que os jornalistas neste caso fizeram, foi informar. Correcto. Correctíssimo.

A seguir, é bom que se diga que já hoje o António Mendonça, reafirmou que a  fonte foi mesmo a KPMG - já cá venho colocar a notícia que li na diagonal, hoje de manhã a propósito disto mesmo. E que claro, num artigo tendencioso como este, não interessou publicar -

E faca de 2 gumes porquê? Simples
Quando um jornalista tenta investigar políticos, Aqui d'el Rei que está a exarcebar as suas funções. Basta lembrar casos bem recentes.
Quando um jornalista não investiga, Aqui d'el Rei que não cumpre as suas funções. Basta reler este artigo.

:doido:
« Última modificação: 28 de Outubro de 2011, 23:42 por miguelyn »
:roll:



Beaves

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em: 29 de Outubro de 2011, 00:29
Pois bem. Faca de 2 gumes. E texto infeliz.

Ou, como dizia o Jaime Pacheco, faca de 2 legumes... :mrgreen:



Forum de Apostas

Re: O jornalista demitido - «Um caso de polícia? Não me diga?!»
« Responder #2 em: 29 de Outubro de 2011, 00:29 »

mar de pedra

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em: 29 de Outubro de 2011, 10:58
Pois bem. Faca de 2 gumes. E texto infeliz.

Ou, como dizia o Jaime Pacheco, faca de 2 legumes... :mrgreen:
  :lolada:
Maior espectáculo que o mar é o céu. Maior espectáculo que o céu é a alma. – Victor Hugo



Dunadan

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em: 05 de Novembro de 2011, 21:13
O texto pode ser qualificado por alguns de infeliz, mas o que realmente interessa não foi desmentido:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?t=Renegociacao-das-concessoes-rodoviarias-custa-milhoes-de-euros-ao-Estado.rtp&article=496138&layout=10&visual=3&tm=6


Concessões: Renegociação dos contratos Norte e Grande Lisboa custa ao Estado mais de 1.400 MEuro - sec. Estado

Lisboa, 04 nov (Lusa) - A renegociação dos contratos das concessões rodoviárias Norte e Grande Lisboa representa um encargo para o Estado superior a 1.400 milhões de euros, disse hoje o secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.

Sérgio Monteiro, que falava na comissão parlamentar de Economia e Obras Públicas, disse que as estimativas indicam que "o encargo acrescido para o Estado com a concessão Norte foi de 1.140 milhões de euros e com a concessão da Grande Lisboa foi de 281 milhões de euros".

O secretário de Estado disse que estes valores, acima dos inicialmente previstos, são "as melhores estimativas" de que dispõe.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/concessoes-renegociacao-dos-contratos-norte-e-grande-lisboa-custa-ao-estado-mais-de-1400-meuro-sec-estado=f685576


1400ME ao galheiro e ninguém faz nada. E depois, o Jorge Coelho tem a lata de renunciar à sua subvenção vitalícia...




 


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