Autor Tópico: Dener morreu há 16 anos: «Um drible bonito é melhor que um golo»  (Lida 121 vezes)

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Dunadan

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Dener morreu há 16 anos: «Um drible bonito é melhor que um golo»

A homenagem do Maisfutebol e de antigos colegas de equipa


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Viver depressa e morrer demasiado jovem. O lema de uma vida inacabada, a vida de Dener Augusto de Souza. Simplesmente Dener. No dia 19 de Abril de 1994, o craque do Vasco da Gama - então com 23 anos - encontrou a morte num acidente de viação. Faz hoje, precisamente, 16 anos.

Dener foi um cometa que virou o planeta-futebol de pantanas. Estrela da companhia na Portuguesa, no Grémio e no Vasco da Gama, representou duas vezes a selecção do Brasil. Morreu da forma como viveu e jogou. Em velocidade excessiva, a driblar adversários e convenções; num estilo revolucionário, algures entre a malandragem de rua e a genialidade.

«Um drible bonito é melhor que um golo». O título desta história ilustra a personalidade genuína e rebelde do antigo internacional brasileiro. A frase é da sua autoria. Para Dener, mais importante do que marcar era levantar o estádio, com truques e acrobacias. O brasileiro fazia isso melhor do que ninguém.


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Cinco horas: um cadáver em exposição pública

A viagem já ia longa. 400 kms entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Dener dormitava no banco ao lado do condutor. Para trás haviam ficado uma reunião prometedora com dirigentes do Estugarda e uma noite de folia numa discoteca paulista. À passagem pela Lagoa Rodrigo de Freitas, o amigo Oto Gomes adormece ao volante, arrasado pelo cansaço.

O automóvel galga o passeio e atinge enfurecido uma árvore. Oto sobrevive, Dener morre asfixiado pelo cinto de segurança. Trágico, tenebroso. Durante cinco horas, o cadáver permanece no carro. Uma galeria do horror à vista de centenas de populares. A burocracia adia o transporte do corpo do futebolista, figura maior num cenário dantesco.

Valdir Bigode era, à altura do funesto acidente, colega de equipa de Dener no Vasco da Gama. «Fiquei chocado com a notícia. Ele viajava constantemente entre São Paulo e o Rio de Janeiro. Muitas vezes lhe disse, a brincar, que era muito alcatrão para um franzininho como ele. Digo com orgulho: foi meu grande amigo e um dos melhores jogadores de futebol que jamais conheci», explica o ex-avançado do Benfica ao Maisfutebol.

«O futebol para mim é simples» (Dener)

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O percurso meteórico de Dener não deixou ninguém indiferente. Desde o imortal Mané Garrincha o Brasil não via alguém tão moleque. Sempre descontraído, despreocupado, não distinguia o marcador directo, fosse ele grande ou pequeno, magro ou corpulento.

Dener queria era a bola no pé direito. «O resto eu resolvo», dizia muitas vezes em entrevistas. «O futebol para mim é simples. Não entendo por que o complicam.»

«A morte surpreendeu Dener enquanto ele dormia. Se ele estivesse acordado, até ela seria driblada.» Armando Nogueira (jornalista brasileiro)


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Dener morreu há 16 anos: «Até Maradona o aplaudiu»

Valdir, Baidek e Lazaroni recordam o antigo internacional brasileiro

«A especialidade do Dener eram os golos impossíveis.» A descrição póstuma de Sebastião Lazaroni, último treinador do malogrado jogador, não deixa margem para dúvidas. Dener era especial. «Não adiantava dar-lhe grandes indicações técnico/tácticas. O melhor era dizer-lhe apenas uma coisa: procura a bola e decide da melhor maneira», recorda ao Maisfutebol o homem que o orientou no Vasco da Gama.

Jorge Baidek cruzou-se com Dener no Grémio de Porto Alegre, em 1993 e lembra-se bem da «prestação brilhante» do avançado na conquista do campeonato gaúcho. «Todos diziam que era o craque do futuro no Brasil. Tinha técnica e uma velocidade espantosa. No um para um era imprevisível, imparável», atira o actual empresário FIFA ao nosso jornal.


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Mais longe vai ainda Valdir Bigode, colega de Dener no Vasco da Gama. «Tinha um talento incomum e um estilo único. Força, velocidade, habilidade... O rapaz mais parecido com ele é o Neymar, do Santos, mas o Dener era superior.»

«Nunca se lamentou de um campo mau ou de uma entrada dura»

«Certo dia, o Vasco da Gama foi a Buenos Aires defrontar o Newell's Old Boys...», conta Valdir. «As bancadas estavam a abarrotar. Até o Maradona foi e aplaudiu o Dener. O menino deu uma lição de futebol. O Vasco ganhou e todos os argentinos se vergaram ao talento dele. Uma equipa do Brasil venceu na Argentina e foi aplaudida. Imagine só!»

Baidek fala-nos de uma pessoa «sempre alegre», alérgica «às queixas e à mentira». «Nunca se lamentou de um campo mau, ou de uma entrada má dura, até de alguma opção do técnico. Ele só queria entrar e jogar futebol. Talvez por ser de uma família muito humilde, preferia sorrir sempre, mesmo diante de situações complicadas.»

«Sei que durante algum tempo chegou a estudar de manhã, trabalhar à tarde e treinar à noite. Nunca o vi cansado. Viveu pouco tempo, mas viveu de uma maneira honesta e harmoniosa», conclui Sebastião Lazaroni.

«De que servem meus pés se Deus não me ensinou a driblar como o Dener?»
Armando Nogueira (jornalista brasileiro)


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VOX: Talento e Magia
Comentário do(a) leitor(a)Jota Rapososobre a notícia Dener morreu há 16 anos: «Um drible bonito é melhor que um golo»


O nosso querido e saudoso Armando Nogueira, o último dos românticos do futebol e referência suprema do jornalismo esportivo no Brasil, um dia disse não precisar de pés, porque Deus não o ensinara a driblar que nem o Dener.

Que teve o prazer de ver o Neguinho da Portuguesa jogar, até hoje se considera privilegiado. Ele era tremendo. Uma habilidade que não encontra paralelo em ninguém no futebol atual, uma personalidade única, uma alegria contagiante e uma bondade do tamanho do mundo. O Messi é fabuloso, mas é um cara muito sério, joga de verdade, não tem a ginga e a malandragem, típica de neguinho brasileiro. O Cristiano Ronaldo é genial, mas é arrogante, cria caso com todo Mundo, faz caras e bocas, não tem a doçura de Dener, que até os adversários, apesar de baterem e muito, admiravam e por quem tinham muito carinho. Robinho e Ronaldinho Gaúcho são poços de habilidade também, mas são muito vaidosos e são muleques no mau sentido, ao contrário de Dener, cuja mulecagem se resumia a contar piadas.

Acontece que seu talento era tanto, que ele contava piada com a bola no pé. O futebol de Dener não chegou a atingir a plenitude e quem perdeu foi o Mundo. Com certeza até o teimoso, retranqueiro e covarde Parreira, com sua filosofia de goleada de 1 à 0, teria que levar Dener pra Copa de 94 e em 98 com certeza seria já o melhor jogador do Mundo e aí talvez hoje tivessemos falando do Brasil ir em busca de sétima copa e não da sexta, porque a da França, com Dener, Rivaldo e mesmo com Ronaldo passando mal antes da final, viria pra cá.

Mais um talento que se perdeu antes da hora. Assim como Geraldo Assoviador, tio do jogador Bruno Alves de Portugal, que jogou com Zico no Flamengo e que o próprio Galinho dizia ser melhor do que ele.


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« Última modificação: 28 de Abril de 2010, 02:52 por Dunadan »



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