Autor Tópico: Os Ingleses bem querem destronar a NFL, mas o(s) velho(s) da FIFA não deixam...  (Lida 133 vezes)

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Dunadan

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Golos-fantasma: tecnologia ou mais árbitros?

Imagine que o golo de Hélder Postiga, aos 73 minutos do Sporting-V. Guimarães, da 10ª jornada, tinha sido validado porque o árbitro recebera a confirmação através de um sinal electrónico ou de um auxiliar atrás da linha que a bola entrara na baliza de Nilson.

Ou que o mesmo tinha acontecido no Benfica-F.C. Porto de 2004/05, quando Petit rematou para a defesa de Vítor Baía; ou, na perspectiva contrária, que o golo do inglês Geoff Hurst na final do Mundial de 1966, frente à Alemanha, tinha sido, afinal, anulado, naquela que é considerada a mais polémica decisão de sempre.

Tal como a tarefa que lhe foi sugerida, não passam de cenários imaginários. Nenhuma das soluções apresentadas existe, apenas avaliações. É o que acontece, presentemente, com a introdução de mais dois árbitros assistentes no terreno de jogo, e que Portugal vai testar na próxima edição da Taça da Liga, depois de a FIFA ter rejeitado duas tecnologias que ambicionavam pôr fim à polémica dos golos-fantasma.

Decorridos três anos, é na prateleira do organismo que tutela o futebol mundial que se encontram o Hawkeye (sistema que combina as imagens fornecidas por 12 câmaras, junto da baliza), já utilizado no ténis, e a bola com microchip.

«É uma decisão ponderada. Identificámos claramente quão complicados são os dois sistemas. Os resultados não são conclusivos. Entendemos, também, que são sistemas muito caros, que nada acrescentam ao jogo e que são prejudiciais ao papel do árbitro», defendeu Joseph Blatter, aquando do anúncio do «não» à tecnologia na linha de golo.

O microchip falhou num dos sete jogos-teste efectuados durante o Mundial de Clubes de 2007, devido a interferências no sinal enviado ao árbitro, enquanto o Hawkeye «não garante a visibilidade da bola quando há muitos jogadores à entrada da baliza», justificou, ainda, o presidente da FIFA.

Premier League queria Hawkeye já em 2009/10

A Federação Inglesa de Futebol (FA) tinha esperança em introduzir a tecnologia Hawkeye já na temporada 2009/10 da Premier League, clubes e árbitros estavam em sintonia, mas a decisão da FIFA condenou a FA à ilusão do que poderia ser a nova era da verdade desportiva, crentes que estavam na precisão da informação fornecida por este sistema de vídeo.

O Hawkeye, garantem os seus criadores, é um sistema preciso, imediato e supera não só os critérios impostos pelo International Board ao fornecer uma resposta ao árbitro em menos de meio segundo, como a obrigação da FA em não ultrapassar a leitura da posição da bola em cinco milímetros.


O treinador do Arsenal, Arsène Wenger, assumiu-se um fervoroso adepto da tecnologia ao serviço do futebol, que, no seu entender, até poderia funcionar como noutros desportos. «Quero ver o número de decisões injustas reduzidas o mais rápido possível. Devia haver a possibilidade de contestar uma decisão como acontece, por exemplo, no ténis», defendeu.

O médio português Pedro Mendes, actualmente no Glasgow Rangers, foi protagonista de um célebre golo-fantasma, quando em 2005 vestia a camisola do Tottenham. Em Old Trafford, frente ao Manchester United, Pedro Mendes marcou, mas apesar de o guarda-redes Roy Carroll ter defendido um metro atrás da linha de golo, este não foi validado.



Golos-fantasma: Benquerença rejeita erro, Duarte Gomes reconhece falha

Olegário Benquerença, único árbitro português pré-convocado para o Mundial 2010, e Duarte Gomes, também internacional, são dois dos mais cotados juízes nacionais e com posições bem claras sobre o que pode contribuir para a «verdade desportiva». Em conversa com o Maisfutebol, falaram sobre os prós e contras do vídeo, do microchip, de mais dois assistentes em campo e, ainda, de jogos com os grandes em que foram visados devido a golos-fantasma... ou talvez não.

«Sou a favor de todo o tipo de medidas que auxiliem a verdade desportiva, sejam tecnológicas ou humanas», começou por dizer Olegário Benquerença, que, todavia, alertou para as inconsistências de ambas as vertentes. «Não há tecnologias infalíveis, não é seguro que garantam a verdade desportiva. O recurso a imagens televisivas é sempre subjectivo. Nem sempre o que as imagens captam corresponde ao que aconteceu», defendeu.

Os dois elementos extra na equipa de arbitragem também levantam questões ao árbitro de Leiria. «Hoje, com três, já há uma falta significativa de árbitros. Se passarmos para cinco teria de haver o milagre da multiplicação. Ironicamente, é uma medida que não terá grande aplicação por falta de meios

Qualquer que seja o futuro, Olegário Benquerença entende que deve estar ao alcance de todos. «Para mim, não há futebol dos ricos e dos pobres», comentou, lembrando: «A FIFA tem gasto milhões de euros em estudos e acredito que se houvesse uma solução clara ela já estaria cá fora

Na época 2004/05, no Estádio da Luz, o Benfica perdeu 0-1 com o F.C. Porto, depois de o árbitro do encontro não ter validado um golo de Petit, que Vítor Baía terá defendido já depois da linha. Olegário Benquerença mantém a decisão de então. «Já viu alguma imagem que mostrasse a bola dentro da baliza?», argumentou. «O futebol não sobrevive sem polémicas. Devia ser um jogo de capacidade técnica, em que os mais capazes vencessem os menos capazes», acrescentou. «No final de um campeonato as contas estão saldadas. Não conheço nenhuma equipa que não tenha tido erros a favor e contra

O juiz de Leiria lamenta, também, que só a arbitragem esteja em foco. «Não há jogadores e treinadores a cometer erros? Gostava de ver um clube que ganhasse um campeonato com um golo em fora-de-jogo e fosse capaz de recusar o título de campeão por causa do erro, isso sim, era credibilidade.»

Duarte Gomes reconhece «erro visível» frente ao Sporting

No decorrer da época, Duarte Gomes confrontou-se com uma situação que poderia ter tido outro rumo se pudesse recorrer à tecnologia ou a um assistente junto à linha de golo. Aos 73 minutos do Sporting-V. Guimarães da 10ª jornada, Nilson defendeu o remate de Postiga já dentro da baliza, mas o árbitro de Lisboa não validou o golo.

«A bola pode entrar e nós não conseguirmos ver. E nem sempre os auxiliares estão na melhor posição para o confirmar. A bola entrou, comprova-se pelas imagens, tivemos dúvidas e na dúvida não podemos validar. Foi um erro visível, com infelicidade no resultado», recordou.

«Sou sempre a favor do bem do futebol, em nome da verdade desportiva. Não seria coerente, em pleno séc. XXI, colocar obstáculos à tecnologia. Desde que a introdução da tecnologia não retire mobilidade, dinâmica e carácter humano ao jogo, têm o meu aval», defendeu, reconhecendo as vantagens da ajuda. «Pode tirar do ombro do árbitro o peso de uma decisão difícil.»

Também Duarte Gomes alertou para a escassez de árbitros na actualidade e que poderá travar a introdução de mais dois elementos em campo. «São precisas mais pessoas e há escassez de recursos. Mas é uma situação que vai acontecer em Portugal na próxima edição da Taça», comentou.

Tal como o colega Olegário Benquerença, o internacional de Lisboa entende que «a arbitragem não pode ser o único alvo da tecnologia»: «Também deve servir para verificar o comportamento dos jogadores, que muitas vezes simulam e procuram ludibriar os árbitros, que provocam agressões.»



Golos-fantasma: Couceiro sugere outras soluções, Nelson diz sim à tecnologia

José Couceiro, seleccionador da Lituânia, e Nelson, guarda-redes do Estrela, não têm dúvidas sobre o rumo que o futebol deveria tomar. O treinador português acredita que pequenas alterações podem proporcionar grandes efeitos. Já o jogador prefere a tecnologia a mais dois assistentes em campo.

«Sou favorável a que haja alterações e se aproveitem as tecnologias a favor da verdade desportiva. A questão é como se vão aplicar», defendeu José Couceiro, em conversa com o Maisfutebol. «Repare, no basquetebol há três árbitros para um campo de 40x20 metros e no futebol há os mesmos três para um campo de 105x68 metros», começou por alertar o treinador português, referindo-se à introdução de mais dois elementos da arbitragem em campo.

Quanto às tecnologias, José Couceiro alertou para a diferenciação: «As imagens televisivas têm de resultar do mesmo número de câmaras. Um jogo grande não pode ter 14 e um mais pequeno três, assim não há igualdade

Para o seleccionador da Lituânia, que prossegue uma caminhada histórica rumo ao Mundial 2010, as soluções apresentadas - Hawkeye, microchip ou os dois árbitros - «não resolvem por completo, mas minimizam os erros». «Vai demorar algum tempo. Mas penso que é preciso diferenciar o futebol profissional do amador. Por que têm de ser iguais?»

Mas também as próprias regras de jogo deviam ser alvo de melhorias, na opinião de José Couceiro. «Não se trata de desvirtuar e sim de evoluir», justificou, dando alguns exemplos: «Até aos 70 minutos defendo um time out. Na parte final não, pois é muitas vezes nesse período que se decidem os jogos. E também não compreendo por que um jogador substituído não pode voltar a entrar. São duas coisas em que não há qualquer subjectividade pois a responsabilidade é do treinador. E por que motivo um 1-0 há de dar os mesmo três pontos ao vencedor que um 4-3, ou um 0-0 o mesmo ponto que um 4-4? Não é o golo o objectivo do jogo?»

Nelson e a experiência do golo-fantasma frente ao Leixões

Na última jornada, em Matosinhos, Nelson sentiu na pele a contestação do adversário junto à sua baliza. Foi ao minuto 31 da 12ª jornada, frente ao Leixões: Braga rematou fortíssimo do meio da rua, Nélson defendeu em dificuldade, a bola encaminhou-se para a baliza, o guarda-redes tirou em cima da linha, Diogo Valente fez a recarga e a bola ficou presa nas pernas de Nelson.

«Ainda agora me aconteceram dois lances assim. Não me deixaram nenhuma dúvida e ao árbitro [Carlos Xistra, da A.F. Castelo Branco] também não, que ajuizou correctamente ambos. Uma bola entrou, a outra não», comentou Nelson, referindo-se ainda ao golo assinalado aos 58 minutos, da autoria de Wesley.

«Sou a favor das novas tecnologias, de modo a que se dê ao jogo a maior verdade possível. A inserção de um microchip na bola ou a utilização de câmaras sobre a linha de golo permitem um melhor juízo de situações difíceis de analisar, contribuindo para a verdade desportiva e não para a suspeição. Sou 100 por cento a favor, desde que sejam infalíveis», defendeu.

Já a introdução de mais dois elementos de arbitragem oferece dúvidas ao antigo guarda-redes do Sporting. «O ideal seria estarem no prolongamento da linha de baliza, mas isso é impossível, tal como estar dentro da baliza. Atrás não está alheio a dúvidas, porque em alguns lances o guarda-redes pode tapar a bola», observou.

Questionado sobre as sugestões de Benquerença e Duarte Gomes, de que todos os protagonistas de um jogo deviam estar sujeitos à evolução, o guarda-redes do Estrela concordou. «Se queremos toda a verdade deveria ser assim. Todas as situações que possam adulterar um jogo deveriam estar ao alcance do juízo do árbitro, sejam foras-de-jogo, simulações, faltas...»
« Última modificação: 02 de Janeiro de 2009, 06:27 por Dunadan »



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