Autor Tópico: ‘Metropolis’: em busca dos minutos perdidos (e finalmente encontrados!)  (Lida 120 vezes)

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Dunadan

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‘Metropolis’: em busca dos minutos perdidos
http://timeout.sapo.pt/news.asp?id_news=2256

Perdida durante 80 anos, a versão completa de Metropolis foi finalmente encontrada na Argentina. Rui Monteiro conta tudo.

Em 1928, na Argentina, um homem discordou. E contra o que era senso comum na indústria, a distribuidora cinematográfica Terra importou a versão longa de Metropolis. Ali, como por todo o mundo, o filme, editado e reeditado ao deus dará, foi um desastre comercial. Passados oitenta anos, porém, quando parecia arrumado que a decisão do empresário só servira para perder dinheiro, Adolfo Z. Wilson entra para a História, porque a sua teimosia cinéfila – ou falta de visão comercial – devolveu ao cinema longos minutos de uma película que, apesar dos tratos de polé sofridos, se tornou paradigma visual do futuro.

Havia, na pequena sala da Casa do Cinema, na Praça Potsdamer, em Berlim, naquela tarde no início do último Verão – segundo o relato de Karen Naundorf para a revista Sight & Sound –, um ambiente de ansiedade e mal disfarçado cepticismo. O que era natural, dadas as circunstâncias e as personagens envolvidas. Paula Félix-Didier, que em Janeiro, seguindo a pista fornecida por um amigo, descobrira as bobinas no armazém do pequeno museu de cinema que dirige, nos arrabaldes de Buenos Aires, enfrentava pela primeira vez o veredicto dos mais reputados especialistas na obra de Fritz Lang. A Rainer Rother, director da Cinemateca Alemã, Anke Wilkening e Martin Koerber, ambos restauradores ao serviço da Fundação Friedrich Wilhelm-Murnau, que detém os direitos sobre Metropolis, competia verificar a autenticidade das bobinas e, de certo modo, garantir a reputação da instituição sul-americana.

Por isso, quando a bobina começou a rodar e surgiu a ficha inicial o silêncio pesou. Até uma cena, em que o Mestre de Cerimónia prepara uma jovem para servir ao prazer de Freder, o filho do mau da fita, fazer Koerber exclamar “Aí vamos nós” e tomar algumas notas. Poucos minutos mais à frente é a vez de Rother juntar um “Incrível” de júbilo e acrescentar, para descanso de Félix-Didier: “Ninguém viu isto desde 1927.” Contudo, o que mais deve ter entusiasmado a responsável do Museu de Cinema de Barracas foi a garantia dada dias depois por Helmut Possman, director da Fundação Murnau, aos diários alemão Die Zeit – que revelou a história – e britânico The Guardian, de que a película será restaurada e que as imagens agora recuperadas permitirão ver Metropolis “de maneira diferente e, decerto, mais fiel ao original.”

Mesmo com cerca de um quarto de filme desaparecido durante oito décadas, o que tornou o entrecho aqui e ali incompreensível ou pura e simplesmente frouxo, a obra de Fritz Lang, filmada por ambição artística e desejo de mostrar a pujança da indústria cinematográfica da Alemanha – o que ia levando à bancarrota os estúdios UFA –, é uma influência reconhecida em 2001 – Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, ou Blade Runner – Perigo Iminente, de Ridley Scott, para só citar os bons exemplos, mas de raro foi bem tratada por distribuidores, críticos e público.

Muito antes de Giorgio Moroder, em 1984, tentar assassinar a obra com a sua versão colorida digitalmente, com banda sonora de Freddie Mercury e Bonnie Tyler, já os Queen e os Pink Floyd ali se inspiraram para telediscos. E muito antes disso, ainda antes da estreia e logo após, os mais de 150 minutos de duração, a violência, o “significado comunista das legendas”, ou o reaccionarismo que alguns encontraram nesta fábula futurista sobre o trabalho, o poder e o amor, foram entraves que condenaram a carreira de Metropolis no seu tempo e levaram a sucessivas edições que, na verdade, sistematicamente mutilaram o trabalho de Lang.

Agora, felizmente, com a descoberta de Paula Félix-Didier, deixam de fazer sentido os dois parágrafos que iniciavam a, por enquanto, mais completa versão restaurada. Dizia a legenda, em 2001: “Do filme Metropolis, apenas sobreviveram um negativo original incompleto e várias curtas e alteradas versões. Mais de um quarto do filme deve ser considerado perdido para o mundo.”

terça-feira, 23 de Setembro de 2008




 


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