Autor Tópico: Factura Exposta ou a triste história das Famílias Portuguesas Sobreendividadas  (Lida 165 vezes)

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Dunadan

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Depois de saber que o número de casas a ir a leilão duplicou este ano e que imóveis com 3 e 4 anos começam também a entrar nas carteiras das leiloeiras, deu ontem na SIC uma reportagem especial sobre o sobre-endividamento das famílias portuguesas. Comecemos pela notícia dos leilões:

Duplicou o número de casas em leilão por incumprimento de contrato no primeiro semestre de ano
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/dinheiro/Duplicou+o+numero+de+casas+em+leilao.htm

O aumento do custo vida e o crédito mal parado impossibilitam muitos portugueses de pagarem as prestações das suas casas aos bancos. Nos primeiros seis meses do ano o número de casas a ir a leilão duplicou.

O Video:
http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={066D6F65-6FEE-40FC-BA86-92B498F224DA}



Graças aos efeitos da crise, crédito malparado disparou mais de 17,3%, em Maio
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/dinheiro/20080721+Credito+malparado+disparou+mais+de+17+virgula+3+pc+em+Maio.htm

O crédito malparado disparou em Maio e atingiu mesmo um novo valor recorde. O Banco de Portugal divulgou hoje novos números que mostram a dificuldade de milhares de famílias em pagar as dívidas, na maior parte ligadas ao consumo. Mas há outro indicador do aumento dos casos de incumprimento: as instituições financeiras que concedem crédito estão a contratar cada vez mais pessoal para tentarem recuperar dívidas.

O Video:
http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={F86CFD6A-C05E-47EF-B37E-6D54A2AD9BB4}



Factura Exposta
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/programas/reportagem+especial/Artigos/Factura+Exposta.htm

Fácil, imediato, sem burocracias.
No final da década de 90, os portugueses deixaram-se seduzir pelas compras a crédito.
Adquiriram casas, carros e electrodomésticos, bens que, até então, lhes estavam vedados.
Muitos descobriram agora que não têm dinheiro para pagar a conta.

O Video:
http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/VideoPopup2008.aspx?videoId={2E357233-B239-4957-B4C8-09F28D8BD918}


É o caso de Benvinda Casal. Desempregada, mãe de uma menina de quatro anos e à espera do segundo filho, tem os cobradores à porta por causa de uma dívida de 1800 euros, relativa à compra de um carro.

“Eles vão tentar intimidar-me para pagar e eu não tenho maneira”, explica-nos a jovem de 24 anos, enquanto espera para ser atendida por uma técnica do Gabinete de Apoio aos Sobreendividados, criado pela DECO no final dos anos 90.

Casos como o de Benvinda são às dezenas, todos os dias, nos escritórios da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor. De 2007 para 2008 o número de pedidos de ajuda quase duplicou. Os sobreendividados portugueses são, geralmente, casais entre os 35 e os 45 anos, com um menor a cargo, escolaridade média ou superior e três ou mais empréstimos nas instituições de crédito. Natália Nunes, responsável pelo Gabinete, não tem dúvidas de que “estamos a falar de uma nova forma de pobreza. Chegam-nos aqui famílias com rendimentos iguais ou superiores aos mil euros mensais, mas sem dinheiro, muitas vezes, para a alimentação”.

As casas de penhores e as lojas de compra e venda de artigos usados são outros dois barómetros da crise. “O nosso cliente típico que vem vender para comprar tem diminuído drasticamente”, explica-nos José Marques, da empresa “Cashland”. “Em contrapartida, fruto da subida das taxas de juro, das perdas de emprego e do aumento do custo de vida, são cada vez mais as pessoas que vêm vender”.

A dívida acumulada dos portugueses é de 117 por cento do Produto Interno Bruto do país. Dito de outra forma, cada português deve, em média, cerca de 15 mil euros.



"O que tem mais piada" é que este fenómeno, novo em Portugal, também ocorre na maior economia do mundo:

Given a Shovel, Americans Dig Deeper Into Debt - NYTimes.com
http://www.nytimes.com/2008/07/20/business/20debt.html

Years of spending more than they earn have left a record number of Americans like Ms. McLeod standing at the financial precipice. They have amassed a mountain of debt that grows ever bigger because of high interest rates and fees.

While the circumstances surrounding these downfalls vary, one element is identical: the lucrative lending practices of America’s merchants of debt have led millions of Americans — young and old, native and immigrant, affluent and poor — to the brink. More and more, Americans can identify with miners of old: in debt to the company store with little chance of paying up.

It is not just individuals but the entire economy that is now suffering. Practices that produced record profits for many banks have shaken the nation’s financial system to its foundation. As a growing number of Americans default, banks are recording hundreds of billions in losses, devastating their shareholders.

(...)

Today the focus for lenders is not so much on consumer loans being repaid, but on the loan as a perpetual earning asset,” said Julie L. Williams, chief counsel of the Comptroller of the Currency, in a March 2005 speech that received little notice at the time.




Quando se sabe que os bancos têm tido lucros enormes nos últimos anos e que fazem um esforço de contenção em termos de facilidades no crédito à habitação, ganhando imenso com os juros, especialmente nos períodos de carência, para não matarem as suas galinhas dos ovos de ouro, acabaram por sofrer a competição das SFAC... Junta-se a isto toda uma nova geração que sempre teve tudo o que quis ou coisa parecida, em completa oposição à geração anterior que poupava o mais que podia e temos aqui um gravíssimo problema social... Para quem quiser completar a imagem, termino esta "intervenção" com esta provocação:


No Fio da Navalha (Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável):

http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/2005/10/henrique-medina-carreirano-fio-da.html



Vêm-me à memória o sistema económico feudal em que os camponeses, em troca de segurança, trabalhavam um pedaço de terra arrendada pelos senhores feudais e ainda por cima, trabalham de borla durante alguns dias por semana nas terras do seu senhor... Os japoneses fizeram algo parecido durante os anos 50 a 80, mas com a entrada dos outros "tigres asiáticos" e o início das deslocalizações, começaram os primeiros problemas...

Com o BRIC a querer-se impôr no panorama mundial, com "senhores" com pouca capacidade de liderança política e:

- sabendo que só após as Descobertas, a pequena burguesia começou a aparecer, especialmente nos Países Baixos, devido ao seu comércio com as Índias;

-sabendo que o Reino Unido começa também a ter a tal pequena burguesia, uma espécie de proto-classe média, que se estendeu pela França e Alemanha tendo prosperado também pela Escandinávia;

- sabendo que tirando a França a influência do Vaticano nos restantes países do Norte e Centro da Europa foi reduzida em termos de controlo das mentalidades, impondo-se apenas na bacia mediterrânica e no Leste da Europa, favorecendo o aparecimento de ditaduras em contraponto ao Comunismo;

- sabendo que após o fim do Fascismo (tirando a sua variedade chinesa disfarçada de comunismo), o mundo ocidental debaixo da protecção da Pax Americana teve um surto de desenvolvimento só semelhante aos experimentados pelo Antigo Egipto no tempo das suas grandes obras públicas, Templos, Monumentos e Pirâmides, ou da Grécia Antiga quando tiveram filósofos, escultores e arquitectos às carradas;

- sabendo que o capitalismo desregulado está neste momento completamente descontrolado, apesar das várias iniciativas de algumas empresas em termos de "responsabilidade social";

- sabendo que Portugal tem imensos desiquilibrios no que em termos de contribuições de impostos e sua utilização, pois são muitos os que fogem ao fisco, são muitos os clientes do OGE;

- sabendo que o Estado tem ainda um peso muito grande e que apenas facilita a vida a alguns no que à criação de novos negócios ou expansão dos já existentes, para não falar da incipiente criação de riqueza nos últimos anos, reflectida no indicador PIB;

- sabendo das ameaças climáticas que se afiguram cada vez mais presentes e "negras";

Parece-me que as tendências de uma nova vaga de pobreza e um retrocesso do nível de prosperidade da "nossa civilização" têm uma probabilidade cada vez maior de acontecer...


Cabe a cada um de nós informar-se, esclarecer-se e tomar nas suas mãos, na medida do possível, o seu próprio destino e arriscar uma vida diferente, mesmo que tenha de emigrar, para fugirmos à pobreza "extrema" em que Portugal caminha... Esta é a minha opinião. ;)
« Última modificação: 22 de Julho de 2008, 18:31 por Dunadan »



Dunadan

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Desemprego 2008-07-28 00:05
Perda do emprego é a maior causa do malparado

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/economia/pt/desarrollo/1150596.html

A DECO explica ao Diário Económico os principais factores de risco que levam os portugueses a deixar de pagar as dívidas aos bancos.


Luís Reis Ribeiro

O desemprego é o principal motivo citado pelas famílias portuguesas para justificar a falta de pagamento das prestações bancárias.

Os especialistas ouvidos dizem que o desemprego, mas também outros “imprevistos” como divórcio, doença ou morte de um familiar, são “a gota de água” que acaba por levar à ruptura financeira na maioria das famílias. Em comum, uma característica: praticamente todas acumularam vários créditos ao longo dos últimos e têm um passado de excessos consumistas pouco consentâneos com os seus salários/rendimentos mensais.

Os casos de ruptura reportados aos gabinetes das duas instituições de apoio aos sobreendividados – a DECO e a parceria ISEG/Direcção-Geral do Consumidor – aumentaram de forma dramática em 2007, tendência se agravou no primeiro semestre deste ano, com o impacto da subida dos juros e dos combustíveis.

De acordo com a Associação para a Defesa do Consumidor (DECO), o desemprego de alguém do núcleo familiar explica mais de metade (52%) dos casos de ruptura financeira detectados. Olhando para o histórico da DECO (que remonta a 2000), as razões evocadas surgem pela mesma ordem: metade do incumprimento foi espoletado por desemprego, a seguir vêm os motivos de doença (cerca de 20%), a deterioração das condições de trabalho e a mudança na composição do agregado (normalmente por morte ou divórcio, explicam os peritos).

O número de famílias que pediram ajuda à DECO mais do que duplicou em 2007 (para 1.976); no primeiro semestre deste ano já ia em 1.116 (mais 124% do que nos primeiros seis meses de 2007), tendo sido formalizados 777 processos de sobreendividamento (uma subida homóloga de  22%). Natália Nunes,  coordenadora do gabinete da DECO, explica que “o agravamento rápido das condições económicas está a levar a mais desemprego e a uma quebra súbita do rendimento esperado nos agregados familiares”. E acrescenta: “claro que esta situação adquire maior gravidade porque tudo está a condicionar as pessoas em simultâneo: de uma forma geral, a falta de educação financeira conduziu ao abuso no recurso ao crédito, sobretudo para consumo, justamente onde as taxas de juro são maiores”. Assim “temos cada vez mais famílias a serem apanhadas na curva já que o crédito ficou mais caro e os preços dos bens também por causa da subida dos combustíveis”.

Do lado do Gabinete de Orientação ao Endividamento dos Consumidores  (GOEC), uma parceria entre o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e o Governo (Direcção-Geral do Consumidor), o retrato é igualmente preocupante. Desde que abriu portas em Outubro de 2006 até final de Junho último, o GOEC foi contactado por 1.700 pessoas, tendo aberto 646 processos.

Teresa Ferreira, coordenadora do GOEC, diz que “os nossos técnicos constatam que as situações de endividamento excessivo têm como origem, na sua grande maioria, uma acumulação de créditos”. “Causado por um imprevisto (desemprego, divórcio, doença, falecimento), por um contratempo (revisão do carro, avaria de um electrodoméstico,...) ou por consumismo compulsivo, o endividamento dos consumidores continua a trazer pessoas ao gabinete em situações economicamente preocupantes”, pode ler-se num relatório que será enviado esta semana ao Governo e que dá conta de um aumento dos “casos que requerem, com urgência, intervenção externa para a sua resolução”. “O gabinete não pode intervir como mediador” entre famílias e bancos, mas ajuda as pessoas a encontrarem soluções junto dos Centros de Informação Autárquicos ao Consumidor (CIAC) ou a pedir a renegociação das condições contratuais junto das entidades financeiras ou bancos “onde começam a ter problemas de cumprimento”.


Mais de 274 mil pessoas entraram no desemprego
Desde que o actual Governo entrou em funções, no início de 2005, que não havia um primeiro semestre tão mau em termos de dinâmica do mercado laboral mostra o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Ao longo do primeiro semestre de 2008 acorreram aos centros de emprego 274.394 pessoas (novos desempregados), mais 3% face aos seis meses homólogos. É a terceira subida consecutiva e maior expansão média semestral desde meados de 2005. As empresas ofereceram 60 mil empregos via IEFP no primeiro semestre, menos 1,6% do que em igual período de 2007.


Outros lados do Malparado

1 - 40 anos, quatro ou mais créditos e vive em Lisboa
As observações do gabinete da DECO e do GOEC permitem ter uma noção aproximada do perfil do sobreendividado português: a maioria está na casa dos 40 anos, é casado/a, tem um a dois filhos, vive em Lisboa e tem o ensino secundário. As mulheres sofrem tendencialmente mais de ruptura financeira do que os homens. Ambos os gabinetes conferem que o rendimento médio líquido do incumpridor oscila entre os 500 e os mil euros – o valor mais comum é o de pessoas com um rendimento individual de 800 euros; 1.600 euros caso se trate de um casal. Segundo o GOEC, 85% das pessoas que pediram ajuda no segundo trimestre deste ano tem mais de quatro créditos contraídos junto de bancos e similares. Os casos mais observados são os de pessoas com sete ou oito créditos, sendo que mais de 80% tem empréstimo à habitação e todos têm um crédito ao consumo (um cartão de crédito, pelo menos).

2 - Reforço de equipas para recuperar crédito em atraso
Quando mais aperta a crise, mais as pessoas falham o pagamento das suas prestações bancárias e mais negócio têm as empresas que se dedidam à recuperação de malparado, como as multinacionais Coface e Intrum Justitia. O sector das cobranças está, por isso, em forte expansão: a Associação Portuguesa das Empresas de Recuperação de Crédito ( APERC ) deverá chegar aos 30 membros este ano, reforçou o número de empregados em 5,5% (para 648 em 2007) e está a expandir o negócio à razão de 8,6% ao ano. Dados da APERC mostram que em 2007 foram recuperados pela via não-judicial 380 milhões de euros contra 350 milhões em 2006. Para este ano espera-se que as dívidas recuperadas superem facilmente os 400 milhões de euros. As empresas de crédito por telefone também estão a reforçar as equipas de recuperação de dívidas para combater os atrasos nos pagamentos dos clientes.

3 - Cheques devolvidos sobem 7% no primeiro semestre
“O número de cheques devolvidos até Junho, por falta ou insuficiência de provisão, aumentou comparativamente aos primeiros seis meses de 2007, mas o valor envolvido decresceu”, refere a edição ‘online’ do “Correio da Manhã”, citando dados do Banco de Portugal. Segundo a mesma fonte, “os portugueses têm mais dificuldade em assumir a cobertura dos cheques, mesmo quando são de menor valor”. No primeiro semestre deste ano foram devolvidos mais 7% do que em igual período de 2007. Assim, vieram para trás 472 mil cheques – mais 30 mil do que em igual período de 2007 –, dos quais 352 mil não tinham provisão. O valor total subjacente aos cheques devolvidos ultrapassa os 1,4 mil milhões de euros, mais 8% face ao primeiro semestre do ano passado. “Destes, mais de 965 milhões foram devolvidos por falta de provisão, total ou parcial; o que equivale a uma média diária de cinco milhões de euros em cheques carecas”, escreve o jornal.



suecos

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em termos dos cheques ainda não percebo porque é que não acabam de vez com eles, eu já não uso há muito tempo, até o irs vem directo para a conta, demorando menos tempo.
Em Portugal, quem rouba um tostão é um ladrão, quem rouba um milhão é um barão...



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E depois como é que fazes os pagamentos com muita antecedência sem os cheques pré-datados? :lolada:


Dois comentários que li e achei com alguma piada:

Citar
p
devia-se aumentar os juros aos empréstimos para quem esteja desempregado e assim o emprego era procurado mais afincadamente.
 
Zorro
Grande parte das Empresas portuguesas economicamente estão bem, uma vez que conseguem ter encomendas para executar, mas financeiramente estão débeis ou com tesouraria falida, tendo de recorrer a Inatituições de Crédito para efectivarem empréstimos, isto porque, os seus clientes não pagam em tempo útil. O governo não quer encontrar uma solução legal, porque o próprio estado é bom cliente mas mau pagador. A sobrevivência das nossas Empresas passa por uma legislação que evite este abuso, considerando crime todos os que ultrapassem os prazos que as empresas impõem para pagamento e não o façam.

Se o problema se resolvesse com a legislação...

Dantes eras um herói e o maior se no café contasses como fugiste ao fisco no último IRS, actualmente "parece que já não é bem assim"...

Dava jeito era que o pessoal começasse a ter melhor percepção em relação ao Estado e às pessoas que o dirigem, pois se pagassem a tempo e horas, este país estava menos apertado no que à liquidez na tesouraria diz respeito.

Investir em Portugal com a Justiça como está é o mesmo que querer apostar em múltiplas sucessivas compostas por odds de -10000 com a banca toda... :credo:
« Última modificação: 28 de Julho de 2008, 17:03 por Dunadan »




 


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